Subida de 0,6 ponto percentual em relação a junho ocorre em meio a um superávit primário abaixo das expectativas do mercado
A dívida bruta do Governo Geral avançou em julho e alcançou 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central. O indicador estava em 81,9% do PIB em junho, representando uma alta de 0,6 ponto percentual no mês.
Em valores nominais, a dívida bruta chegou a aproximadamente R$ 10,9 trilhões. O percentual registrado em julho é o maior desde abril de 2021, quando a dívida correspondia a 82,62% do PIB. A alta também ficou acima das expectativas do mercado. Pesquisa da Reuters com economistas apontava uma projeção de 82,1% do PIB para a dívida bruta no mês.
Dívida líquida também aumenta
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) também apresentou crescimento em julho. O indicador passou de 68,5% para 69,1% do PIB, enquanto a expectativa do mercado era de 68,8%. A dívida bruta considera os débitos do Governo Federal, dos estados e dos municípios, enquanto a dívida líquida leva em conta o conjunto de dívidas e créditos do setor público.
Superávit primário fica abaixo do esperado
Outro dado que chamou atenção no relatório foi o resultado das contas públicas. O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 1,361 bilhão em julho. Apesar de positivo, o resultado ficou bem abaixo da expectativa dos economistas consultados pela Reuters, que projetavam um superávit de aproximadamente R$ 5,6 bilhões.
O resultado foi influenciado pelo desempenho das diferentes esferas do setor público. O Governo Central registrou superávit de R$ 10,975 bilhões. Já estados e municípios apresentaram déficit primário de R$ 8,502 bilhões, enquanto as empresas estatais registraram saldo negativo de R$ 1,112 bilhão. Com isso, o resultado positivo do Governo Central foi parcialmente compensado pelos déficits registrados nos governos regionais e nas estatais.
Juros e emissões também pressionaram a dívida
Segundo os dados do Banco Central, a alta da dívida bruta em julho foi influenciada principalmente pelos juros nominais apropriados, que contribuíram com 0,8 ponto percentual para o aumento do indicador.
As emissões líquidas de dívida pública acrescentaram outros 0,2 ponto percentual. Em sentido contrário, a variação do PIB nominal ajudou a reduzir o indicador em 0,5 ponto percentual. No acumulado do ano, a dívida bruta avançou 3,9 pontos percentuais do PIB.
Por que o indicador é acompanhado?
A relação entre dívida pública e PIB é um dos principais indicadores utilizados para avaliar a situação fiscal de um país. Quando a dívida cresce em ritmo superior à capacidade de geração de recursos da economia, aumenta a preocupação sobre a trajetória das contas públicas e sobre a necessidade de medidas capazes de estabilizar o endividamento.
O resultado também é acompanhado pelo mercado financeiro porque a percepção sobre a sustentabilidade das contas públicas pode influenciar expectativas para juros, inflação e câmbio. A alta registrada em julho ocorre em um momento de atenção às contas públicas brasileiras e às perspectivas para os próximos anos. O desempenho fiscal, portanto, deverá continuar sendo acompanhado por investidores, economistas e pelo próprio governo.
Fonte: Banco Central do Brasil e dados de mercado compilados pela Reuters.













