Deputado estadual pelo DC, Wellington Callegari aposta na força do discurso conservador para conquistar uma das duas vagas do Espírito Santo no Senado
A eleição de 2026 coloca Wellington Callegari diante do maior desafio eleitoral de sua trajetória política. Depois de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Espírito Santo e ganhar espaço no debate político estadual, o parlamentar agora deixa a disputa proporcional para encarar uma eleição majoritária: a corrida por uma das duas vagas do Espírito Santo no Senado Federal.
A candidatura de Callegari foi oficialmente homologada pelo Democracia Cristã (DC) durante a convenção estadual do partido, realizada no dia 4 de agosto. A legenda também aprovou suas chapas para deputado estadual e deputado federal. A mudança representa um salto importante. Na eleição de 2022, Callegari foi eleito deputado estadual pelo então Partido Liberal (PL) com 16.842 votos. Natural de São Paulo, ele é formado em História e professor da rede pública.
Uma atuação marcada pelo conservadorismo
Ao longo do mandato, Callegari construiu sua imagem política a partir de pautas identificadas com o campo conservador. O parlamentar se apresenta como um político de direita e tem defendido posições alinhadas a esse espectro ideológico. Essa identidade pode ser, ao mesmo tempo, uma das principais forças de sua candidatura e um dos desafios da campanha.
Isso porque o eleitorado de direita no Espírito Santo terá à disposição diferentes nomes com posicionamentos semelhantes. A disputa conta, entre outros, com Maguinha Malta, do PL, e Evair de Melo, do Republicanos, além de outros candidatos que também buscam espaço nesse campo político. Callegari, portanto, não terá apenas que convencer eleitores que se identificam com suas ideias. Também precisará disputar o voto conservador com candidatos que possuem estruturas partidárias, grupos políticos e níveis diferentes de conhecimento junto ao eleitorado.
A saída do PL e a escolha pelo Senado
A candidatura ao Senado também ajuda a explicar a saída de Callegari do PL. O deputado deixou a legenda comandada no Espírito Santo por Magno Malta em meio às articulações para 2026. O projeto de disputar o Senado encontrava dificuldades dentro do partido, principalmente diante da movimentação de Magno Malta para lançar sua filha, Maguinha Malta, ao mesmo cargo.
Callegari posteriormente migrou para o Democracia Cristã, partido pelo qual agora disputa oficialmente a eleição. A mudança partidária mostra que a candidatura ao Senado não surgiu apenas como uma alternativa de última hora. Trata-se de um projeto político que vinha sendo construído antes mesmo da definição oficial das chapas.
O tamanho do desafio
O problema para Callegari é que a eleição para o Senado possui uma dinâmica completamente diferente daquela enfrentada por um candidato a deputado estadual. Enquanto na eleição proporcional o candidato pode concentrar esforços em determinadas regiões e contar com a força da legenda e da chapa, a disputa majoritária exige uma presença muito mais ampla no Estado.
E o cenário capixaba apresenta nomes conhecidos e com estruturas políticas relevantes. Atualmente, 11 candidatos foram oficialmente lançados para disputar as duas vagas disponíveis no Senado pelo Espírito Santo. Entre os nomes que aparecem no cenário estão o ex-governador Renato Casagrande, Maguinha Malta, Evair de Melo e Sérgio Meneguelli, além de outros candidatos.
Casagrande aparece em posição de destaque nas pesquisas realizadas ao longo de 2026. Em levantamento da Quaest divulgado em abril, por exemplo, o ex-governador registrou 25% das intenções de voto no cenário mais amplo apresentado pela pesquisa. Outro levantamento, realizado pela Real Time Big Data em julho, também apontou Casagrande na liderança. No cenário citado pela pesquisa, ele apareceu com 30%, enquanto Maguinha Malta tinha 10%. Os números, entretanto, não significam que a eleição esteja definida. A existência de duas cadeiras em disputa abre uma segunda corrida dentro da própria eleição: a disputa por quem conseguirá ocupar a outra vaga.
A briga pelo segundo lugar
É justamente nesse espaço que está o principal desafio de Callegari. Se Casagrande conseguir manter a liderança demonstrada nos levantamentos, a grande incógnita passa a ser quem terá força suficiente para conquistar a segunda cadeira. E é nesse cenário que o deputado estadual precisará tentar transformar sua atuação política em votos.
A tarefa não é simples.
Além da concorrência de nomes mais conhecidos, Callegari precisará disputar espaço dentro do próprio eleitorado conservador. Maguinha Malta representa uma candidatura com o peso político do sobrenome Malta e a estrutura do PL. Evair de Melo chega à disputa com experiência de deputado federal e também ocupa espaço no campo da direita. Já Sérgio Meneguelli tenta construir uma candidatura com discurso próprio, buscando se apresentar como uma alternativa independente e próxima do eleitor. A fragmentação desse eleitorado pode ser decisiva.
O fator direita
Para Callegari, uma das principais perguntas da campanha será justamente até onde sua candidatura conseguirá avançar dentro do eleitorado conservador. O deputado possui uma identidade política clara e pode se beneficiar de um cenário em que parte dos eleitores busca candidatos alinhados à direita. Por outro lado, a existência de vários nomes com posicionamentos semelhantes pode dificultar a concentração de votos.
A eleição para o Senado permite que cada eleitor escolha dois candidatos. Isso cria uma dinâmica diferente da eleição para governador ou presidente e pode favorecer alianças informais entre grupos e candidatos, mas também pode provocar uma disputa intensa pelo mesmo eleitor. Para Callegari, será necessário encontrar espaço próprio.
De uma cadeira na Assembleia para o Senado
A candidatura também representa uma tentativa de ampliar o tamanho de seu projeto político. Eleito deputado estadual em 2022 com 16.842 votos, Callegari conseguiu chegar à Assembleia e passou a ocupar um espaço no debate político capixaba. Agora, quatro anos depois, o parlamentar tenta dar um passo muito maior.
Uma eventual eleição para o Senado significaria deixar a política estadual para assumir um mandato de oito anos em Brasília, com uma projeção política nacional muito maior. Mas, para isso, Callegari terá de superar uma disputa que reúne nomes com diferentes níveis de conhecimento público, estruturas partidárias e bases eleitorais.
Uma eleição ainda em aberto
Apesar das pesquisas apontarem vantagem de alguns candidatos, a disputa pelo Senado ainda está em construção. O próprio número de candidaturas mostra um cenário pulverizado: são 11 nomes para duas vagas. Nesse contexto, a campanha terá papel importante para definir quais candidatos conseguirão transformar suas pré-campanhas em competitividade real.
Para Callegari, o caminho passa por consolidar sua imagem como representante do eleitorado conservador, ampliar sua presença para além da base que o elegeu deputado estadual e mostrar ao eleitor que sua atuação na Assembleia pode ser transferida para Brasília.
A missão é grande. Depois de conquistar espaço na Assembleia Legislativa, Wellington Callegari agora tenta provar que pode dar o próximo passo e conquistar uma vaga no Senado. A candidatura está oficializada. O desafio, porém, começa agora: transformar um nome conhecido no ambiente político estadual em uma candidatura competitiva para uma das duas cadeiras que o Espírito Santo terá em disputa no Senado em 2026.













