Empresa capixaba obteve tutela cautelar para proteger seus ativos enquanto apura o tamanho do passivo e avalia os próximos passos
A crise envolvendo a Apex Partners ganhou uma nova dimensão nesta sexta-feira (7), após a empresa recorrer à Justiça para obter proteção de seus ativos diante de um passivo estimado inicialmente em R$ 985,6 milhões. O pedido foi apresentado à Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória e teve a tutela cautelar antecedente concedida pelo juiz Marcos Pereira Sanches. A medida impede, neste momento, que o patrimônio da companhia seja alvo de arrestos, execuções ou outras medidas que possam comprometer os ativos enquanto a situação financeira é analisada. A decisão ocorre poucos dias depois de uma assembleia de sócios que resultou no afastamento de Fernando Cinelli, fundador e então presidente da Apex, e de Eduardo Siqueira, que ocupava a diretoria financeira.
Auditoria deverá investigar situação financeira
A empresa deverá anunciar na próxima segunda-feira (10) qual será a companhia responsável pela auditoria independente que irá analisar as contas e a estrutura financeira da Apex. A expectativa é que uma das quatro maiores empresas globais do setor — Deloitte, KPMG, EY ou PwC — seja escolhida para conduzir o trabalho.
O levantamento deverá ser realizado dentro do prazo de 30 dias estabelecido pela Justiça para que a companhia avalie se haverá necessidade de apresentar um pedido de recuperação judicial. Apesar da medida cautelar ser um instrumento previsto na legislação para situações que antecedem um eventual processo de recuperação judicial, a Apex afirma que não trabalha, neste momento, com a decisão de pedir recuperação judicial.
Outro ponto destacado é que, segundo as informações apresentadas no processo, grande parte do passivo não estaria vencida. Os débitos começariam a vencer principalmente nos próximos dois anos e teriam prazo de até sete anos para quitação. A auditoria deverá apontar com maior precisão o tamanho e a composição das obrigações financeiras da empresa.
Operação envolvendo a CVC está no centro da crise
Um dos episódios que teriam contribuído para o agravamento da crise interna foi uma operação envolvendo a CVC, uma das maiores empresas de viagens do país. Um fundo capitaneado pela plataforma capixaba, o BRM Carbyne Voyage, vem adquirindo ações da companhia e atualmente o bloco ligado à Apex detém aproximadamente 15,5% da CVC.
A operação passou a ser questionada internamente diante da desvalorização das ações da empresa. Segundo as informações divulgadas, os papéis da CVC acumulavam queda de 39,4% em seis meses. O investimento teria sido apresentado aos cotistas com expectativa de retorno equivalente a 100% do CDI ao final de três anos, o que teria provocado questionamentos entre os sócios da Apex diante do desempenho do ativo.
A partir disso, um grupo de sócios teria iniciado uma apuração interna sobre a operação e sobre a situação financeira da companhia. Em abril deste ano, Fernando Cinelli chegou a ser indicado para integrar o conselho de administração da CVC. Na quinta-feira (6), porém, ele renunciou ao cargo.
Sócios acusam ex-presidente de gestão temerária
Segundo a Apex, os problemas identificados estariam relacionados à atuação de Fernando Cinelli e Eduardo Siqueira. Os sócios afirmam ter identificado falta de transparência nas informações financeiras e alegam que não tinham conhecimento da dimensão do passivo apresentado. A empresa acusa Cinelli de “gestão temerária e má-fé” e informou que pretende ingressar com uma ação judicial contra o executivo, inclusive solicitando o bloqueio de seus bens. As acusações, entretanto, fazem parte da posição apresentada pela companhia e ainda deverão ser analisadas pelas autoridades competentes e pela Justiça.
Cinelli afirma que pretende colaborar
Procurado sobre a situação, Fernando Cinelli afirmou, por meio de nota, que permanece comprometido em contribuir para a preservação da companhia e dos interesses de investidores e acionistas. O empresário também declarou estar disposto a colaborar para esclarecer as questões levantadas e afirmou que pretende fazê-lo com transparência e idoneidade.
A partir de agora, a auditoria independente deverá ser responsável por esclarecer a real dimensão do passivo da Apex e identificar os principais fatores que levaram à atual crise. Com a proteção judicial concedida nesta sexta-feira, a empresa ganhou tempo para realizar essa apuração e definir quais serão os próximos passos diante de um passivo inicialmente estimado em quase R$ 1 bilhão.













