O cenário político do Espírito Santo começa a ganhar novos contornos com a movimentação dos principais grupos que devem disputar as eleições de 2026. De um lado, o ex-prefeito de Vitória e pré-candidato ao Governo do Estado, Lorenzo Pazolini, avança em uma aproximação com o PL e com o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Do outro, o PSD sinaliza que não pretende fechar, neste momento, apoio automático a uma única candidatura.
A aproximação de Pazolini com o PL ganhou força durante a vinda do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, ao Espírito Santo. Ao lado de Flávio Bolsonaro e do senador Magno Malta, Pazolini declarou apoio à pré-candidatura de Flávio e também afirmou que apoia a candidatura de Maguinha Malta, filha do senador, ao Senado Federal.
Na ocasião, Flávio Bolsonaro declarou apoio a Pazolini na disputa pelo Governo do Espírito Santo, fortalecendo a possibilidade de uma aliança entre o ex-prefeito de Vitória e o PL no Estado.
A movimentação, porém, acontece em um momento de disputa pela composição das candidaturas ao Senado. Magno Malta tem defendido a candidatura da filha e, segundo o cenário político que vem sendo construído, o apoio a Pazolini estaria condicionado à presença de Maguinha como candidata ao Senado em uma composição que garanta espaço para o projeto político do senador.
O problema é que o PSD também possui um nome interessado na disputa. O deputado estadual Sérgio Meneguelli pretende concorrer ao Senado e conta com o apoio de importantes lideranças políticas ligadas ao partido.
A legenda é presidida no Espírito Santo por Renzo Vasconcelos e mantém forte influência do ex-governador Paulo Hartung. Meneguelli, que já foi prefeito de Colatina e possui forte popularidade no Estado, aparece como um dos nomes que podem movimentar a disputa pelas duas vagas ao Senado que estarão em jogo em 2026.
Em meio a esse cenário, o PSD estadual se reuniu com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, e deixou claro que pretende conversar com todos os pré-candidatos ao Governo do Espírito Santo.
A sinalização indica que o partido não considera, neste momento, uma aliança definitiva com Pazolini. O movimento também pode ser interpretado como uma resposta à possibilidade de uma composição que priorize a candidatura de Maguinha Malta e deixe pouco espaço para o projeto de Sérgio Meneguelli.
Na prática, Pazolini parece estar fortalecendo sua posição dentro do campo bolsonarista e avançando na construção de uma aliança com o PL. Ao mesmo tempo, porém, pode estar perdendo a segurança de contar com o apoio do PSD, que agora demonstra disposição para negociar com diferentes grupos e até mesmo para construir uma candidatura própria ao Governo do Estado.
O cenário coloca Sérgio Meneguelli no centro das negociações. Caso o PSD mantenha a candidatura do ex-prefeito de Colatina ao Senado, a composição com o grupo de Magno Malta pode se tornar mais difícil, especialmente diante da defesa de uma candidatura única para a filha do senador.
A situação também pode abrir espaço para diferentes cenários. O PSD pode continuar negociando com Pazolini, desde que haja espaço para Meneguelli na composição ao Senado. O partido também pode avaliar uma candidatura própria ao Governo do Estado ou construir uma aliança com outro nome.
Enquanto isso, Pazolini parece fazer uma escolha cada vez mais clara pelo fortalecimento de sua ligação com o PL e com o eleitorado de direita. O apoio recebido de Flávio Bolsonaro representa um importante reforço político para sua pré-candidatura, mas a aproximação também pode aumentar as dificuldades para manter uma composição mais ampla com setores do centro e da centro-direita.
A grande questão agora é saber se Pazolini conseguirá conciliar os interesses do PL e do grupo de Magno Malta com o projeto do PSD e de Sérgio Meneguelli.
Se o ex-prefeito de Vitória priorizar a candidatura de Maguinha Malta ao Senado, poderá consolidar ainda mais sua aliança com o PL, mas corre o risco de se afastar do PSD. Se, por outro lado, tentar preservar espaço para Sérgio Meneguelli, poderá enfrentar resistência dentro do grupo de Magno Malta.
Por enquanto, não há confirmação de um rompimento entre Pazolini e o PSD. No entanto, a decisão do partido de conversar com todos os pré-candidatos mostra que o apoio à candidatura do ex-prefeito de Vitória deixou de ser uma certeza.
Com as articulações para 2026 cada vez mais intensas, a disputa pelo Governo do Espírito Santo começa a ser definida não apenas pelos nomes que estarão nas urnas, mas também pelas alianças que serão capazes de reunir diferentes forças políticas em torno de uma mesma chapa.
A pergunta que começa a ganhar força nos bastidores é: Pazolini está ganhando o apoio do PL, mas perdendo o apoio do PSD?













