Varejo cresce no Brasil, mas Espírito Santo avança apenas 0,5% em julho

Desempenho capixaba ficou abaixo da média nacional, que registrou alta de 4,7% nas vendas em relação a julho de 2025

O comércio varejista brasileiro voltou a crescer em julho, mas o desempenho foi bastante diferente entre os estados. Segundo o Índice do Varejo Stone (IVS), as vendas do comércio no país avançaram 4,7% em relação a julho de 2025. No Espírito Santo, a alta foi de 0,5% no mesmo período.

Na comparação mensal, entre junho e julho, o varejo brasileiro também apresentou crescimento, de 0,9%, consolidando o segundo mês consecutivo de alta na margem. O resultado nacional, porém, ocorre em um cenário ainda marcado por crédito caro e elevado comprometimento da renda das famílias.

Espírito Santo cresce, mas abaixo da média nacional

O resultado de 0,5% coloca o Espírito Santo entre os estados que apresentaram crescimento nas vendas, mas em um ritmo consideravelmente inferior ao registrado pelo comércio brasileiro como um todo.

Ao todo, 24 estados tiveram alta nas vendas em julho na comparação anual. Roraima apresentou o maior crescimento, de 18,2%, seguido por Mato Grosso do Sul, com 9,5%, e Acre, com 7,4%. Na outra ponta, Rio Grande do Sul e Tocantins registraram retração. O desempenho capixaba ficou próximo ao de Ceará e Mato Grosso, que também registraram alta de 0,5%.

Crédito caro ainda pesa sobre o consumo

De acordo com a análise do economista e pesquisador da Stone, Guilherme Freitas, o mercado de trabalho e a renda continuam sendo importantes sustentáculos do consumo.

Por outro lado, o comprometimento elevado da renda das famílias e o custo do crédito ainda limitam uma recuperação mais disseminada, principalmente em setores que dependem de financiamento e compras parceladas. O cenário ajuda a explicar por que o crescimento do varejo ocorre de maneira desigual entre os diferentes segmentos e regiões do país.

Quais setores cresceram?

Entre os oito segmentos acompanhados pelo IVS, cinco apresentaram crescimento em julho na comparação com junho. O maior avanço mensal foi registrado em artigos farmacêuticos, com alta de 2,5%. Na sequência apareceram combustíveis e lubrificantes, com 2,1%; hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com 1,6%; e material de construção, com 1%.

Já alguns setores tiveram retração no mês. Tecidos, vestuário e calçados recuaram 4,1%, enquanto móveis e eletrodomésticos caíram 2,2%. Livros, jornais, revistas e papelaria tiveram queda de 1,1%. Na comparação anual, sete dos oito segmentos apresentaram crescimento. O destaque ficou novamente com combustíveis e lubrificantes, que avançaram 9,1%, seguidos por supermercados e estabelecimentos de produtos alimentícios, bebidas e fumo, com 7,4%.

O que o resultado significa para o Espírito Santo?

O crescimento de 0,5% mostra que o varejo capixaba não está em retração na comparação anual, mas também revela um ritmo mais moderado do que o observado no país.

Para comerciantes e consumidores, o cenário reforça a importância das condições de crédito e da renda disponível. Em segmentos que dependem mais de financiamento, juros elevados podem dificultar compras de maior valor e reduzir a disposição das famílias para assumir novas parcelas. Ao mesmo tempo, a manutenção do emprego e da renda ajuda a sustentar o consumo e impede que o desempenho seja negativo em uma parcela maior do comércio.

Cenário exige atenção dos comerciantes

Os números mostram um varejo brasileiro em recuperação, mas ainda com diferenças significativas entre estados e segmentos.

No Espírito Santo, a alta de 0,5% indica crescimento, porém em velocidade inferior à média nacional de 4,7%. O resultado coloca em evidência os desafios enfrentados pelo comércio capixaba em um ambiente de crédito restritivo e renda das famílias ainda comprometida. O desempenho dos próximos meses será importante para verificar se o varejo estadual conseguirá acelerar o ritmo e se aproximar do crescimento observado em outras partes do país.

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