Minha Casa, Minha Vida bate recorde e responde por 66% dos lançamentos no Sudeste

Programa alcançou maior participação da série histórica na região, enquanto mercado imobiliário cresceu 1,2% no segundo trimestre de 2026

O mercado imobiliário do Sudeste registrou crescimento de 1,2% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado foi acompanhado por um avanço expressivo do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que respondeu por 66% dos lançamentos de imóveis residenciais na região entre abril e junho.

Os dados fazem parte dos Indicadores Imobiliários Nacionais do segundo trimestre de 2026, levantamento realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, os lançamentos enquadrados no Minha Casa, Minha Vida cresceram 19,9% no Sudeste. O desempenho reforça o peso da habitação popular na movimentação do mercado imobiliário regional.

Participação recorde no mercado nacional

A força do programa também foi observada em todo o país. No segundo trimestre de 2026, o Minha Casa, Minha Vida representou 58% dos imóveis residenciais lançados no mercado brasileiro, a maior participação registrada desde o início da série histórica, em 2019.

Ao todo, foram 62.129 unidades enquadradas no programa lançadas no período, contra 45.032 imóveis de outros padrões. Segundo o presidente da Cbic, Eduardo Aroeira, o cenário representa uma mudança no comportamento tradicional do mercado imobiliário do Sudeste.

“Hoje, 66% dos lançamentos são do Minha Casa, Minha Vida. É diferente do que costumava acontecer. O Sudeste sempre teve dificuldade para lançar imóveis do programa, mas hoje a região tem uma participação relevante nos lançamentos”, afirmou.

Apartamentos de dois quartos são maioria

O levantamento também mostra a predominância de apartamentos de dois quartos, que representaram 62,4% dos lançamentos no segundo trimestre. Na sequência aparecem os imóveis de um quarto, indicando uma adaptação do mercado à crescente demanda de pessoas que vivem sozinhas. De acordo com Aroeira, os empreendimentos também estão incorporando estruturas voltadas para esse público, com espaços como academias, salões de festas e outras áreas comuns.

Vendas também avançam

Além do crescimento nos lançamentos, o mercado imobiliário do Sudeste registrou alta de 1,3% nas vendas no segundo trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre as regiões brasileiras, o Centro-Oeste apresentou o maior crescimento nos lançamentos, com avanço de 19,1%, enquanto o Nordeste teve alta de 24,6%. Já o Sul registrou retração de 25,1% e o Norte apresentou queda de 35,2%. Nas vendas, todas as regiões tiveram desempenho positivo na comparação anual. O Centro-Oeste liderou, com crescimento de 27,7%, seguido pelo Norte (15%), Nordeste (13,6%), Sudeste (1,3%) e Sul (0,2%).

Expectativa de mercado mais aquecido no segundo semestre

Mesmo diante dos juros elevados, a Cbic avalia que o desempenho do setor imobiliário é positivo. Segundo Eduardo Aroeira, a taxa Selic em 14% ao ano torna os resultados ainda mais relevantes. O dirigente também destacou que o nível de oferta disponível está em 9,5 meses, considerado adequado pelo setor.

A expectativa da entidade é de que o mercado apresente um desempenho ainda melhor no segundo semestre, período que tradicionalmente registra maior movimentação do que os primeiros seis meses do ano. A previsão é de continuidade do bom desempenho do Minha Casa, Minha Vida, além de resultados positivos nos segmentos de médio e alto padrão. A Cbic projeta a possibilidade de novos recordes até o fim de 2026 em financiamentos e vendas de imóveis.

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