Vereador de Vitória foi confirmado pelo Novo para o Senado, mas pode mudar de candidatura para disputar o Palácio Anchieta; eventual movimento também abre possibilidade de uma composição com até cinco partidos
O vereador de Vitória Leonardo Monjardim (Novo) admitiu que vive um dilema diante da possibilidade de trocar sua candidatura ao Senado por uma disputa pelo Governo do Espírito Santo. A mudança vem sendo discutida pelas direções estadual e nacional do Novo e colocaria o parlamentar frente a frente com Lorenzo Pazolini (Republicanos), nome que já está na corrida pelo Palácio Anchieta. Em entrevista publicada nesta quarta-feira (12), Monjardim afirmou que não se sente confortável com a possibilidade de disputar contra Pazolini, principalmente pela relação de admiração e gratidão que construiu com o político ao longo dos últimos anos.
“O que me constrange é a relação de admiração e gratidão que tenho por Pazolini. É exatamente por isso que não me sinto confortável. É muito constrangedor para mim. Aproveito as oportunidades, mas temos que ter lealdade com as pessoas que foram generosas conosco.”
Monjardim também afirmou que sua relação com Pazolini sempre foi “republicana” e reforçou o desconforto diante de uma eventual disputa direta.
“Eu não me sinto confortável hoje em disputar contra o Pazolini. Não me sinto à vontade”, declarou.
A possibilidade de mudança de candidatura surgiu após o Novo avaliar a necessidade de construir um palanque no Espírito Santo para o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, candidato do partido à Presidência da República. A eventual candidatura de Monjardim ao Governo seria uma forma de fortalecer esse projeto no Estado.
Senado ainda é o plano principal
Apesar das novas articulações, Monjardim deixa claro que sua preferência continua sendo a candidatura ao Senado. O vereador teve o nome oficializado pelo Novo para a disputa ao Senado durante a convenção do partido, realizada em 21 de julho. Na ocasião, a legenda decidiu lançar candidatura própria depois de não conseguir espaço para Monjardim na chapa majoritária liderada por Pazolini.
Agora, porém, o cenário ganhou uma nova possibilidade. “Hoje estou muito vocacionado para disputar o Senado, porque foi o que planejei. Mas, se o partido me disser ‘Não, Monjardim, precisamos de você para essa missão de disputar o governo’… como é que vou dizer não para o meu partido?”, afirmou. O vereador resumiu o momento dizendo estar “entre a espada e a cruz”. A direção do Novo ainda não bateu o martelo sobre a mudança. O partido avalia as possibilidades de composição e deve definir o desenho eleitoral nos próximos dias.
Possível composição com até cinco partidos
Além da possibilidade de disputar o Governo, Monjardim revelou que as conversas para a formação de uma eventual chapa começaram a ganhar corpo. Segundo o vereador, dois candidatos ao Senado o procuraram desde que surgiu a possibilidade de sua candidatura ao Palácio Anchieta, demonstrando interesse em uma composição com o Novo.
Um dos nomes citados por Monjardim é Rodney Miranda, ex-prefeito de Vila Velha e candidato ao Senado pelo PRTB. O outro candidato, segundo ele, não será identificado por enquanto devido a um acordo de confidencialidade. Monjardim afirmou ainda que, caso as negociações avancem, a eventual composição poderia reunir até cinco partidos.
O vereador estima que uma aliança desse tamanho poderia colocar aproximadamente 90 candidatos a deputado estadual e federal no palanque de sua candidatura ao Governo. A possibilidade transforma o que inicialmente parecia ser apenas uma mudança de candidatura em uma articulação eleitoral mais ampla.
Disputa pode dividir campo político
Uma eventual candidatura de Monjardim ao Governo também mudaria o desenho da disputa no Espírito Santo. Pazolini é o candidato do Republicanos ao Palácio Anchieta, enquanto Monjardim, até o momento, permanece oficialmente como candidato do Novo ao Senado. O vereador já exerceu a liderança do então prefeito Pazolini na Câmara de Vitória, o que torna ainda mais delicada a possibilidade de os dois se enfrentarem diretamente pela principal cadeira do Estado.
A movimentação ocorre em meio às negociações para a composição das chapas majoritárias. O Novo mantém diálogo com diferentes partidos e, até recentemente, também era considerado parte do campo que poderia caminhar com Pazolini. A possibilidade de Monjardim disputar o Governo, portanto, pode representar uma mudança significativa nessa configuração.
Decisão deve sair nos próximos dias
O prazo para a definição das candidaturas e alianças coloca pressão sobre as negociações. O Novo precisa decidir se mantém Monjardim na corrida pelo Senado ou se apresenta o vereador como candidato ao Governo. Para Monjardim, a decisão envolve mais do que uma estratégia eleitoral. De um lado, está o projeto que ele planejou durante meses para chegar ao Senado. Do outro, está uma eventual missão partidária para disputar o Governo e fortalecer o palanque de Romeu Zema no Espírito Santo.
E há ainda o fator Pazolini. Mesmo admitindo o desconforto de enfrentá-lo, Monjardim afirma que não pretende simplesmente recusar uma determinação do partido. O cenário, portanto, permanece aberto: o vereador pode seguir na disputa pelo Senado ou, caso as articulações avancem, entrar na corrida pelo Governo do Estado em uma candidatura que poderá colocar frente a frente dois nomes que já estiveram politicamente próximos. A definição deverá ocorrer nos próximos dias, enquanto o Novo conclui as negociações para definir sua estratégia eleitoral no Espírito Santo.













