Crescimento do atacado em 2025 expõe nova disputa pelo orçamento das famílias brasileiras

O setor atacadista distribuidor brasileiro registrou crescimento expressivo em 2025, alcançando faturamento de R$ 616,6 bilhões, um avanço real de 11% em relação ao ano anterior. Os dados, divulgados pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) em parceria com a NielsenIQ, mostram a força do segmento mesmo diante de um cenário econômico ainda desafiador para o consumo das famílias.

Apesar do desempenho positivo, o levantamento acende um alerta para uma mudança importante no comportamento do consumidor. Segundo o estudo, despesas com jogos de apostas online e medicamentos voltados ao emagrecimento têm ocupado espaço cada vez maior no orçamento dos brasileiros, impactando diretamente o consumo de itens essenciais e o abastecimento doméstico.

As apostas online aparecem como um dos principais fatores de preocupação para o setor. A pesquisa aponta que cerca de 26% dos lares brasileiros já participam regularmente desse tipo de atividade, número que dobrou em relação ao ano anterior. O volume movimentado pelas apostas já representa uma fatia significativa da renda nacional, refletindo diretamente na redução de gastos dentro de casa, principalmente com alimentação e itens básicos.

Outro fator que começa a alterar o comportamento de consumo é o avanço das chamadas canetas emagrecedoras. O levantamento mostra que 5% dos lares brasileiros já utilizam regularmente esses medicamentos, enquanto uma parcela significativa da população demonstra intenção de aderir ao tratamento futuramente. O crescimento dessa demanda também interfere na distribuição da renda familiar, embora o setor veja potencial de expansão para segmentos ligados à saúde e bem-estar.

Mesmo com esse novo cenário, o atacado ampliou sua participação no mercado nacional, consolidando sua relevância no abastecimento do varejo. Atualmente, o setor responde por grande parte do fornecimento de supermercados, pequenos comércios, varejo tradicional e bares em todo o país.

A concentração de mercado também chama atenção. Metade de todo o faturamento do setor está nas mãos de apenas 13 grandes empresas, com destaque para o Atacadão, seguido por grupos como Martins, Atacadão Dia a Dia, Tambasa Atacadista e Comercial Zaffari.

Para 2026, a expectativa do segmento é otimista. Eventos de grande impacto, como a Copa do Mundo, além de fatores climáticos que podem estimular o consumo fora de casa, são vistos como oportunidades para aquecer ainda mais o mercado.

O levantamento reforça que, embora o atacado siga em expansão, as transformações nos hábitos de consumo e a redistribuição do orçamento familiar continuam sendo desafios importantes para toda a cadeia varejista brasileira.

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