Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Datafolha mostra que um em cada três brasileiros sofreu fraude virtual com prejuízo financeiro
Os golpes digitais já fazem parte da realidade de milhões de brasileiros. Um levantamento realizado pelo Instituto Datafolha em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) aponta que 33,4% da população brasileira com 16 anos ou mais foi vítima de fraude ou golpe pela internet que resultou em prejuízo financeiro, o equivalente a cerca de 56 milhões de pessoas.
O levantamento considera o período de julho de 2024 a junho de 2025 e revela a dimensão que as fraudes digitais alcançaram no país. Na prática, aproximadamente um em cada três brasileiros nessa faixa etária relatou ter perdido dinheiro em algum tipo de golpe virtual.
Dados pessoais também estão na mira
Além dos prejuízos financeiros, o estudo aponta que os dados pessoais dos brasileiros também estão entre os principais alvos dos criminosos. Segundo a pesquisa, 31,4% da população com 16 anos ou mais, cerca de 53 milhões de pessoas, afirmou ter sido vítima de crimes virtuais relacionados a vazamento de dados ou identidade. O cenário ajuda a explicar por que golpes cada vez mais sofisticados conseguem convencer as vítimas. Com acesso a informações pessoais, criminosos podem criar abordagens mais convincentes, simulando contatos de bancos, empresas, órgãos públicos ou até mesmo familiares.
Golpes se tornaram uma preocupação cada vez maior
Os dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública também mostram que os golpes digitais continuam entre os principais problemas relacionados à criminalidade no país. Relatório divulgado pelo FBSP em 2026 aponta que 15,8% da população com 16 anos ou mais declarou ter sido vítima de golpe e perdido dinheiro pela internet ou pelo celular, o que representa uma estimativa média de mais de 26 milhões de pessoas no período analisado pelo levantamento. Outro dado chama atenção: 12,4% afirmaram ter sido vítimas de fraude ou desvio de recursos de aplicativos bancários ou Pix, mostrando como os meios de pagamento digitais também se tornaram alvos frequentes dos criminosos.
WhatsApp está entre os principais canais usados
Um levantamento internacional divulgado em 2026 também reforça a dimensão do problema. Segundo dados da Global Anti-Scam Alliance citados pelo UOL, 81% dos brasileiros entrevistados tiveram algum contato com tentativas de golpe, enquanto aplicativos de mensagens aparecem entre os principais canais utilizados pelos criminosos. O WhatsApp foi apontado como o principal aplicativo citado, com 64% das tentativas identificadas no estudo.
Entre as estratégias utilizadas estão falsas oportunidades de investimento, mensagens que simulam instituições financeiras, pedidos urgentes de transferência, falsas centrais de atendimento, links fraudulentos e abordagens que tentam induzir a vítima a fornecer informações pessoais.
Como evitar cair em golpes
Diante do crescimento das fraudes, especialistas recomendam atenção principalmente quando uma mensagem ou ligação cria sensação de urgência ou solicita informações financeiras.
Alguns cuidados podem reduzir o risco:
- Desconfie de mensagens que pedem transferências ou pagamentos imediatos.
- Evite clicar em links recebidos de remetentes desconhecidos.
- Confirme diretamente com a instituição antes de fornecer dados ou realizar uma transferência.
- Nunca compartilhe senhas, códigos de autenticação ou informações bancárias.
- Em caso de contato de um suposto familiar ou conhecido pedindo dinheiro, confirme a identidade por outro meio.
- Mantenha aplicativos e sistemas operacionais atualizados.
- Ative mecanismos de autenticação em dois fatores sempre que disponíveis.
O que fazer depois de cair em um golpe
A rapidez também pode ser importante depois que a fraude acontece. A vítima deve entrar em contato imediatamente com o banco ou instituição financeira envolvida, informar o ocorrido e solicitar as medidas cabíveis para tentar bloquear ou recuperar os valores. Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência, guardar comprovantes, conversas, números de telefone, e-mails, links e demais informações relacionadas à fraude. Esses registros podem ajudar na investigação.
Debate sobre responsabilidade das empresas
O crescimento das fraudes também amplia a discussão sobre a segurança dos dados pessoais utilizados pelas empresas. Especialistas em direito digital e direito do consumidor defendem que o aumento de golpes praticados com informações verdadeiras das vítimas levanta questionamentos sobre a forma como dados são coletados, armazenados e protegidos.
A existência de um vazamento, porém, não significa automaticamente que uma empresa será responsabilizada por qualquer golpe sofrido por um consumidor. A eventual responsabilidade depende da análise do caso concreto, das circunstâncias da fraude e da relação entre o tratamento dos dados e o prejuízo causado.
Um problema que exige atenção
Os números mostram que os golpes digitais deixaram de ser um problema restrito ao ambiente virtual e passaram a ter impacto direto na vida financeira de milhões de brasileiros.
Com criminosos utilizando cada vez mais informações pessoais e ferramentas digitais para construir abordagens convincentes, a atenção do consumidor se torna uma das principais barreiras contra as fraudes. O levantamento do Datafolha e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública deixa um alerta: para uma parcela significativa da população, o golpe digital já não é apenas uma tentativa, é uma experiência que trouxe prejuízo financeiro.













